Folhas soltas

02-04-2014 20:54

As folhas voam por toda a parte. Voam aqui e ali, indo de encontro ás paredes, encontrando sitios que nem eu conhecia no meu quarto, desaparecendo sem quererem ser encontradas. 
Acontecia a todos, afinal. Querer encontrar sitios que não haviam sido descobertos, desaparecer mesmo que seja por momentos. 
A vontade é enorme, a coragem é que pode faltar por momentos, mas era sentada no chão do quarto, de olhos fechados a sentir o cabelo escorregar pela minha cabeça inclinada, que me apercebia que me estava a esconder no meu mundo. Neste meu mundo pequeno para os outros, mas gigante para mim. 
O sorriso que tinha no rosto ao ver todas as folhas voar comprovava que o meu mundo era aquele, o das letras; letras que preenchiam aqueles pedaços de papel de uma forma que ninguém conseguia entender. Ninguém interpretava os significados de toda a superficialidade falsa, ninguém tomava atenção ao mais profundo de todas aquelas palavras... 
Coloquei a cabeça de lado e fechei os olhos, de pernas agora cruzadas, e comecei a inventar a banda sonora da minha vida. A banda sonora de todas as histórias dentro da minha história, de toda a imensidão do que ainda havia por viver, da pouca coisa que já tinha vivido e do que vivia no dia a dia. Cada pedaço de caminho com letras, estrada feita por palavras e sonhos feitos de vontade. 
Abri os olhos e jurei ter visto notas musicais a dançar em volta de cada folha já caida, á muito, no chão castanho. Todas elas dançando de forma desorganizada, numa harmonia meio desconhecida aos meus olhos verdes quase pardacentos. O sorriso deu lugar ao brilho nos olhos que sentia ter perdido. 
Voltastes Maggie!