Desire

21-09-2014 02:05

Não podia sair...era cedo demais... era muito cedo, olhava pelas janelas, pelo vidro da porta e encostei-me, deslizando parede abaixo com tudo isto cá dentro empurrando para baixo, quero gritar.
Joelhos contra o peito e a cabeça contra os joelhos, e os pensamentos atingiam-me como balas, os sentimentos atingiam me com a sua força e eu sem protecção...
Respirar é dificil... tão dificil que o meu peito faz um esforço enorme para suportar a força que faço para conseguir executar algo tão simples...respirar tornou-se um acto de pura resistencia, de sobrevivencia. Levanto-me e tento abrir a porta, puxo, empurro, abano mas está trancada. Não consigo sair!
Porra! Esmurro a porta com todas as forças, pontapeio até mas ela permanence intacta, parece rir-se de mim, acha-me fraca por tanto esforço imposto e nenhuma mudança feita. Ela continua de pé, dizendo-me da sua forma distorcida que ficarei ali para sempre, que ela não sairá do mesmo sitio...Quero gritar...o que se passa comigo?
Solto suspiros forçados... lágrimas escorrem face abaixo, deslizando como chuva sem destino, agarro nos meus oculos e parto-os com a força das minhas mãos. Uma contra a cara em plena agonia. Continuo muda, como sempre fui, nesta ansia de gritar e nada, nem um fio de voz sair da minha boca. Se tenho cordas vocais, porque não me ajudam elas neste momento? Esmurro a parede, vendo o sangue escorrer-me da mão ferida e limpo na camisola branca.
Deito-me no chão estranhamente quente do local de pequenas quatro paredes, mas com mais de mil portas para destinos incertos. Quero abrir cada porta mas não tenho forças, não depois de tentar abrir uma única e essa me estar bloqueada, acesso restricto disse-me ela.
Fecho os olhos, sentindo os vidros cravarem-se me na pele e atiro as hastes para nenhures. O que preciso de fazer para sair? Grito em desespero ao vazio, ao nada, à escuridão que se apodera de tudo. Em resposta, recebo o silêncio, a sua resposta favorita. Por favor, imploro, Diz-me como posso encontrar-me...em ti.
Silêncio. 
Quebrei-o ao começar a soluçar fortemente, tentando de algum jeito expulsar de mim tudo isto que me move, toda esta raiva que me consome, este desespero que me invade e me quebra, desejo por desejo, sonho por sonho, vontade por vontade.
Clique.
Som tão profundo. O clique de uma porta, de uma das milhares, e eu paro. Permaneço imóvel, aterrorizada.
A porta chia, abre-se e ninguém entra. Perfeito silêncio. 
E ai vejo-te Mulher, vejo-te os cabelos, os olhos curiosos, o sorriso travesso anunciando problemas.
Solto uma gargalhada profunda e desisto. Desisto de lutar contra o que me fazes sentir Mulher...
Ergo-me e aproximo-me de ti em passo de lentidão apressada. Ao veres-me ficas de espanto estampado no rosto e é a minha ves de sorrir. Coloco as minhas mãos na tua cintura e abraço-te de forma desajeitada. Delineo-te as cruvas com as pontas dos dedos sobre a tua camisola curta, sinto-te o corpo e agradeço. Beijo-te o pescoço e cada beijo um pecado meu esvai-se no ar ao sentir tua retribuição a cada pedaço de pescoço beijado. Sou livre