Critica

26-10-2014 02:51

Sou a pessoa que mais me julga, mais me critica e mais me rebaixa. Eu sou quem, em meus pensamentos envergando a parca negra de cigarro na boca, me olha de alto a baixo e sorriso maléfico. Ser patético !
Sou eu que discurso, para mim mesma, andando e um lado para o outro numa sala vazia. Ajeito a parca, falo devagar, quase palavra a palavra, como se fosse eu filósofa de outras eras especada a olhar para mim com olhar de desdenho. Alguém bate a porta interrompendo o meu raciocínio e irrito-me. Merda. "Entre!"
De passo suave e determinado entra Ink nas suas roupas simples, a blusa azul clara caindo sobre as suas pernas delineadas na calça negra. Os seus modos tão calmos irritam-me ainda mais, andando na minha direção e sentando-se a minha frente. "O que queres?" Pergunto rouca de raiva quase cuspindo as palavras.
"Tem calma, vinha falar contigo"
A sala estava vazia. Como sempre.
"Sim?" E olhei-a atentamente, nada em mim remexia.
"Acorda" e a voz dela parecia outra, retorcida, diabólica, enquanto ela se agigantava a minha frente, tomando forma esguia e deslizante.
"Mas o que..." a cadeira em que estava sentada fora chutada para trás, as minhas pernas recuavam rapidamente enquanto eu de costas para a porta senti a aragem revolver-me os cabelos. Senti o calor, o fresco, a vida la fora.
"Preciso de ti!" sussurrou aquilo que outrora fora a Ink, fora eu. Rodei a maçaneta da porta e atravessei-a temendo estar na rua mais do que estar naquela sala pestilenta.
Nada daquilo fazia sentido, pensei encostando-me a parede. Onde estava eu ? A Alegria, a Vida e não tudo aquilo? Olhei em redor e vi pessoas circularem em meu redor, alguns olhares curiosos mas nada de mais e eu própria olhei para mim. As calças largas suspensas nas ancas, a camisa preta moldando-se ao corpo e os tenis azuis fazendo contraste. O meu cabelo desgrenhado em mechas castanhas claras sujas. Estava sozinha. Deixei-me cair, com o peso da pressão nas costas levando me ao chão. Para onde ir ?