Angelica

09-09-2014 05:47

Chegava já à exaustão fisica por não te ver. No meu sobretudo preto de tenis desportivos sai à rua só para te tentar encontrar. Estava mente sem rumo, alma sem destino. E foi assim que apanhei o comboio com destino a Sintra com a determinação de uma palavra:amor.
So te precisava. Neste chamamento que faço vezes e vezes sem conta na minha cabeca, que até já os meus anjos sabem de cor, continuavas surda e muda sem uma palavra me dirigir, sem o olhar me oferecer, à rapariga que dava tudo por um vislumbre teu.
Olhava a rua, as pessoas, os movimentos e imaginei cada vida ali, a correr nas veias de cada um a sua historia. No final, somos todos iguais certo? Guardei a determinacao no bolso e comprei o jornal,colocando-o debaixo do braço num movimento inventado instantaneamente e respirei fundo. Observei a minha respiracao formar uma nuvem branca de mistério em frente dos meus olhos e sorri.Como podia ter tudo aquilo e mesmo assim querer-te deste jeito desalmadamente meu?
Sentei-me num banco observando o parque e cruzei a perna num movimento rápido,iniciando a leitura do jornal. A procura de anuncios de trabalhos que se adaptassem as minhas escassas habilidades era infinita ou assim parecia, mas uma pessoa tem de fazer pela vida certo? E eu tentava, enquanto me arrepiava e perguntava a mim mesma "Que raio estas a fazer? ".
Nao e facil...viver em prole do amor livre, satisfatório e onde exista a química inabalável de dois corpos feitos para serem apenas um. Já não era so eu a pedir a tua presença, mas o meu corpo reclamava a tua ausência de forma persistente!
Sou eu, a tentar traçar um rumo proprio onde espero tropeçar em ti e agarrar-te eternamente!
Olho para trás, olho e nada vejo.
Compro o bilhete, dirijo-me ao comboio e entro. Destino? Vemo-nos na cidade dos poetas onde clamo o meu orgulho em amar mulheres!